Estudos & Análises | Crise Financeira de 2008: 10 anos depois – e o Brasil, como anda?

Epígrafe

Os fantasmas do mensalão continuavam a assombrá-lo [Dirceu]. No início de maio de 2016, recebeu em casa um pacote pelos Correios. Era um CD, com um depoimento de Marcos Valério. Com qualidade profissional, o vídeo fora gravado por um experiente cinegrafista de televisão e trazia a versão do publicitário, em detalhes, sobre o esquema que montou para financiar o PT na compra de deputados e partidos. No final da gravação, dizia que três outras cópias do vídeo estavam no cofre de um banco. Se fosse encontrado morto em circunstâncias misteriosas ou desaparecesse sem dar notícias por 24 horas, sua mulher, Renilda, deveria enviá-las aos jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e o Globo. Dirceu comentou sobre o desagradável presente a poucos amigos mais chegados, aos quais disse ter certeza de que Valério não blefava”. (Dirceu – A Biografia, 2013, p. 283 e 284).

Turminha: Dirceu é PT, PT é Lula, Haddad é PT.

Jovens, Envelheçam Rápido!

Nelson Rodrigues.

Jovens, sejam sempre questionadores! Questionem e Acreditem Sempre!

NM.

Nota de Esclarecimento

Prefiro ser honesto intelectualmente a ser um pseudo autor estelionatário. Diante da necessidade de reunir diversas fontes para este ensaio, em curto espaço de tempo, procuro tratar as obras referenciadas, por meio de consultas a trechos específicos e relevantes selecionados, para o propósito de tal trabalho. Isto é, dar-lhe ampla abrangência crítica, em panorama geral, com extensa pesquisa bibliográfica. Peço a você que leu este início, a gentileza de ler até o final.

Breve Cenário

Os acontecimentos no cenário político-econômico brasileiro de tempos para cá, tais como o escândalo do Mensalão, as manifestações populares de junho de 2013, o Impeachment da ex-presidente Dilma, a operação Lava Jato, e outros, revelam por um olhar mais otimista, a preocupação do brasileiro com a política e em procurar entendê-la junto a questões jurídicas. O brasileiro, assim, deixa um pouco de lado as novelas e o futebol, sem, no entanto, deixar de assistir a dramas tupiniquins e épicas partidas futebolísticas, mas passa a se interessar mais por assuntos que antes negligenciava por completo. Sob este prisma, então, temos um ponto de partida importante, uma nova experiência vivida pelo brasileiro, pela brasileira.

Em programa da Globonews, em 14 de setembro de 2018, em série sobre a crise de 2008, temos a história de um brasileiro que perde tudo na crise de 2008, inclusive sua casa, mas que hoje dá a volta por cima e tem até uma Ferrari. Imensamente endividado, assim, consegue se recuperar de situação de vida ou morte e muita angústia, o pior momento de sua vida, segundo ele. Passou a negociar imóveis com a bonança da economia brasileira na ocasião. Uma história de superação no auge da crise.

Nesse contexto, temos gráfico recente, mais próximo da eleição, sobre os dados da corrida eleitoral depois de Lula sair do pleito e Bolsonaro sofrer atentado à facada. E Haddad encostar em Bolsonaro.

OS PRINCIPAIS NÚMEROS DA PESQUISA

INTENÇÃO DE VOTO

Fonte: EL País.

(Entre parênteses o índice de cada candidato na pesquisa anterior, aplicada entre os dias 8 e 10/09)

Jair Bolsonaro (PSL): 28% (26%)

Fernando Haddad (PT): 19% (8%)

Ciro Gomes (PDT): 11% (11%)

Marina Silva (Rede): 6% (9%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 7% (9%)

Alvaro Dias (Podemos): 2% (3%)

João Amoêdo (Novo): 2% (3%)

Henrique Meirelles (MDB): 2% (3%)

Cabo Daciolo (Patriota): 1% (1%)

Guilherme Boulos (PSOL): % (0%)

João Goulart Filho (PPL): 0% (0%)

Vera (PSTU): 0% (1%)

Eymael (DC): 0% (0%)

Branco/nulos: 14% (19%)

Não sabe/não respondeu: 7% (7%)

REJEIÇÃO DOS CANDIDATOS

Jair Bolsonaro (PSL): 42% (41%)

Marina Silva (Rede): 26% (24%)

Fernando Haddad (PT): 29% (23%)

Geraldo Alckmin (PSDB): 20% (19%)

Ciro Gomes (PDT): 19% (17%)

Poderia votar em todos: 2% (2%)

Não sabe/não respondeu: 9% (11%)

A partir dos números, extraímos algumas impressões. Bolsonaro lidera as pesquisas. Haddad, Ciro, Alckmin e Marina disputavam o segundo lugar há pouco. No atual momento Haddad se aproxima de Bolsonaro. Se Bolsonaro não vencer no primeiro turno, em eventual segundo turno sairia derrotado por qualquer um dos outros candidatos, embora agora Haddad também teria bom desempenho. Bolsonaro representa a direita, enquanto Haddad e Ciro a esquerda, e Alckmin e Marina, centro esquerda-direita. Propostas como a reestatização da economia e grande intervencionismo estatal simplesmente estão fora de contexto e de época. A Economia de Mercado prevê a livre iniciativa e livre concorrência, para justamente coibir abusos econômicos e permitir que todos tenham a chance de empreender. Aliado a isso, não que seja totalmente possível, mas mesmo assim buscar valorizar o social, preocupando-se, portanto, tanto com o empresário como o trabalhador. Discursos de ódio também não merecem prosperar, mesmo que se trate de voto útil. Ofensas às mulheres não devem ocorrer, seja uma dona de casa, seja uma executiva de uma multinacional, ou ainda as demais minorias, como gays e negros. Sem charme nem tempero, por outro lado, antes isso e maior probabilidade de conduzir a política, a economia e o social com os pés no chão. Acreditar É preciso! Apesar disso, independente de quem vença, é preciso colocar as diferenças de lado e lutar por um País melhor, mais justo, menos desigual, e mais próspero!

Por outro prisma, segundo matéria da UOL economia de 14 de setembro, a quebra do Lehman Brothers mudou significativamente a atuação dos bancos centrais. Esclarece: “A queda do banco americano marcou, com dez anos de recuo, o fim da era clássica das instituições guardiães da moeda, até então responsáveis pelo controle das taxas de juros de curto prazo e pela contenção das pressões inflacionárias”. Os bancos centrais, assim, apagaram incêndios intervindo fortemente nos bancos privados. Então, a reportagem traz: “A maioria dos economistas acredita que a próxima crise não virá do mundo bancário, que aparece “muito mais bem armado do que antes, incluindo de capital, para enfrentar um crash”, assegura Artus [economista]. Incapazes de antecipar a grande de 2008, os bancos centrais fortaleceram desde então seu papel de monitoramento, como o BCE [Banco Central Europeu], que atua com um supervisor de grandes bancos e exerce uma supervisão “macroprudencial” para detectar bolhas financeiras”.

Prévias Reflexões Necessárias

“O século XX, com os seus múltiplos e diversificados cenários de crise, atingido por três diferentes momentos de elevada e agressiva beligerância [02 Guerras Mundiais e Guerra Fria] fez emergir, com crescente potencialidade, o debate sobre o tratamento do fenômeno econômico. A economia passou a representar o ponto nevrálgico dos diálogos travados em esfera jurídica e política […]”, reflete Monica Caggiano, professora de Direito na USP, no Mackenzie e na Escola Paulista de Direito (EPD).

Por sua vez, André Ramos Tavares, professor de Direito na USP, PUC/SP e em outras instituições, sedimenta forte raiz: “A estruturação financeira do país tem reflexos inafastáveis na economia e nas perspectivas de desenvolvimento”.

Quanto ao desenvolvimento, Fabiano Del Masso, professor de direito do Mackenzie, esclarece: “a atividade econômica eficiente tem por finalidade desencadear o desenvolvimento”. E ainda: “O desenvolvimento econômico provoca uma melhora do nível e da qualidade de vida das pessoas, o que significa que a satisfação de necessidades tornou-se maior”. Além disso, constata: “Nos países subdesenvolvidos, muitas vezes, o padrão de vida atingido por alguns corresponde ao mesmo padrão atingido pelas mais altas classes dos países desenvolvidos, entretanto, por poucos, enquanto a maioria da população vive em condições extremamente pobres”. O autor, assim, expõe pontos nevrálgicos que devem ser observados para a realização do desenvolvimento, a saber: “1 – situação das rodovias, ferrovias, aerovias e possibilidades de transporte fluvial; 2 – riscos de falta de energia; 3 – investimentos em educação de qualidade; 4 – dilapidação dos recursos hídricos ou das florestas; 5 – situação da rede hospitalar; 6 – lotação dos presídios; 7 – corte de despesas e desperdício; 8 – déficit da previdência pública; 9 – burocracia e lentidão do Poder Judiciário; 10 – agências reguladoras desprofissionalizadas; 11 – quantidade de crianças fora da escola; 12 – aumento dos índices de criminalidade”.

Nesse sentido, Del Masso, em apertada síntese, defende que o arcabouço normativo brasileiro prevê a conjugação entre aspectos sociais e econômicos, que devem ser implementados por meio de políticas públicas econômicas, sob os moldes contornados pelo Direito, no âmbito do Estado regulador.

Por seu turno, Cláudio Lembo, professor de direito na USP e no Mackenzie e ex-governador de São Paulo, esclarece: “contemporaneamente a publicidade de todos os acontecimentos públicos é imediata e constante, graças particularmente ao rádio, à televisão e à internet. A sociedade conta, pois, com instrumentos de grande eficiência para o debate de ideias e concepção de políticas públicas. Já não se limita, para aperfeiçoar conhecimentos, aos velhos jornais impressos pelos partidos. Houve época em que cada partido possuía seu próprio veículo impresso e, por vezes, as cidades eram inundadas de pequenos jornais de combate, aguerridos e transmissores de ideias e ideologias. Tudo isso acabou. Salvo a internet, todos os veículos centram suas atividades em empresas regidas pelos valores econômicos e giram em torno da busca  do lucro. Isso impede, muitas vezes, a circulação de novos pontos de vista e afasta, comumente, a crítica a personalidades e posicionamentos partidários. Não geram novas atitudes ou posições de vanguarda”.

A constatação do professor acerca dos antigos jornais de combate dos partidos, que inundavam as ruas, hoje pode ser vista em realidade semelhante marcada pela maciça participação política ativa por meio da Internet, seja por blogs ou veículos independentes, contando para tanto, com prática facilidade desenvolvê-los. Criar um blog é fácil e grátis hoje. Além disso, há ainda a possibilidade de criar vídeos ou podcasts e divulgá-los por meio de blogs e redes sociais. Hoje, portanto, uma boa ideia pode atingir multidões sem precedentes, viralizando nas redes, devido aos avanços tecnológicos contemporâneos.

 

Notas sobre Globalização

Globalização se trata do processo através do qual o espaço mundial toma unidade. Há, assim, a quebra de fronteiras, o encurtamento das distâncias globais, a busca pela universalização dos fatores sociais, políticos, econômicos e culturais. Ou ainda, conforme o professor de direito do Mackenzie, Vicente Bagnoli: “A globalização, sucintamente, é a remoção das barreiras ao livre comércio e maior integração das economias nacionais”.

Sua origem remete às Grandes Navegações, nos séculos XV e XVI. De fato, o impulso europeu se deu pelo forte poder político do Estado monárquico. Com razão, pouco antes a esse período, a China, nos séculos XIII e XIV, tinha amplos recursos, assim como os europeus posteriormente, para realizar empreitadas empreendedoras pelos mares, em busca de novas descobertas e mercados. Apesar disso, a China não deslanchou como a Europa, porque não tinha alma de empresa e busca do enriquecimento.

Nesse contexto, destaco os fluxos de informação, a cultura globalizada e a aldeia global. Hoje, as distâncias se encurtam e as relações se aproximam, convivendo todos efetivamente em uma aldeia global. Nesse processo, ocorre a universalização cultural e a troca de informações. Com efeito, trata-se de um grande embate entre universalismo e relativismo cultural. Em que pese a uniformização da cultura baseada na dignidade da pessoa humana, acredito que, em certos casos, que não afrontem essa dignidade, deve-se respeitar as especificidades culturais de cada povo, seja filosóficas, políticas ou ainda religiosas. Com relação à troca de informações, proliferam satélites, cabos de transmissão de fibra óptica, a Internet, e o advento de novas e recentes tecnologias, incorporadas a esse processo. Por ora, não custa lembrar também da formação de blocos econômicos pelo globo terrestre, facilitando as relações comerciais entre Países, tais como o Mercosul ou a União Europeia, balizando-se, quando necessário, se preciso, por entidades como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

George Soros, no início do século XXI, em sua obra Globalização, com prefácio por Cristovam Buarque, afirma: “A globalização tornou-se assimétrica. O desenvolvimento de nossas instituições internacionais não acompanhou o desenvolvimento dos mercados financeiros mundiais e nossos mecanismos políticos ficaram na rabeira da globalização da economia”. Prossegue: “Os mercados são amorais: permitem que as pessoas ajam de acordo com seus interesses, mas não emitem julgamento sobre esses interesses. Entretanto, a sociedade não tem condições de funcionar sem alguma distinção entre certo e errado”. Segue ainda: “Os mercados financeiros não tendem ao equilíbrio: os mercados financeiros necessitam de mãos visíveis que os orientem e impeçam que saiam dos trilhos”. E caminha ao fim: “O sistema da OMC, baseado em regras, referente ao fornecimento de bens privados, deve ser complementado por um sistema baseado em incentivos, para o fornecimento de bens públicos”. Finalmente, encerra: “Não é suficiente combater o terrorismo: as pessoas também precisam da visão política de um mundo melhor para o futuro”.

 

Sobre a Crise do Capitalismo

Soros, em obra mais antiga (1998), A Crise do Capitalismo – As ameaças aos valores democráticos – As soluções para o capitalismo global, analisa a crise do fim do século passado. Ressalto passagem em que demonstra o modo pelo qual a fé cega nas forças do mercado encobre a nota de instabilidades nevrálgicas que levaram à crise de então. Para Soros, só há uma saída: a sociedade aberta. Isto é: “é um conceito que foi originalmente criado pelo filósofo Henri Bergson. Em sociedades abertas o governo é responsável e tolerante, e os mecanismos políticos são transparentes e flexíveis”. (veja: Sociedade Aberta in: Wikipédia)

Sobre o Brasil Globalizado

Em 2008, Fernando Henrique Cardoso, em artigo Um Mundo Surpreendente, publicado em coautoria na obra coletiva Brasil Globalizado, reflete a respeito das opções do Brasil no Jogo Global do Século XXI: “a nova fase da globalização coloca desafios e abre opções, que podem ser enfrentados, desde que os estadistas e os policy-makers avaliem corretamente a situação do mundo e tenham uma visão realista sobre as possiblidades do país. Ao decidir é preciso ter em mente os interesses nacionais, evitando que o nacionalismo de fins se confunda com o de meios, pois este último pode eventualmente ser incompatível com o funcionamento da economia nacional integrada ao mercado global. Quando isso ocorre, se desaproveitam oportunidades de crescimento econômico no mesmo momento em que nossos concorrentes mais diretos, os monster countries, fazem-no com uma velocidade de decisão e implementação nunca vista. Não há tempo a perder, mas há tempo. Se agirmos com competência, uma nova e boa surpresa pode ocorrer: a de deixarmos para trás as tormentas do subdesenvolvimento no decorrer das duas próximas décadas”.

Duas Faces da Mesma Moeda: Kissinger & Greenspan

Ao tratarmos de Henry Kissinger (tido como um dos maiores estadistas da era moderna – aconselhando presidentes norte-americanos, viajando pelo mundo, observando e moldando os eventos mais marcantes da política externa das últimas décadas), bem como Alan Greenspan (lendário ex-chairmain do Banco Central Americano), é possível também verificar o outro lado da atuação de ambos sob um outro olhar.

Se de um lado, Kissinger afirma não existir uma verdadeira “ordem mundial”. Que por boa parte da história, as civilizações conceituavam o significado de ordem. E ainda que cada uma delas se enxergava como centro do mundo e tinham seus pressupostos de modo relevante universal. Para ele, hoje as relações internacionais acontecem em âmbito global, e as distintas abordagens históricas a respeito da ordem mundial estão convergindo. Também regiões participam de assuntos de alta política de forma quase instantânea. Apesar disso, segundo ele, não há consenso entre os maiores atores a respeito das regras e os limites que norteiam tal processo, ou ainda, sua direção principal: a consequência se trata de elevada tensão. Kissinger, assim, realiza uma reflexão profunda no que se refere às raízes da harmonia internacional e da desordem global. Partindo de sua experiência política, tece uma análise acerca do maior desafio do século XXI: erguer uma ordem internacional partilhada num mundo de perspectivas históricas divergentes, conflitos violentos, proliferação tecnológica e extremismo ideológico.

Por outro, Kissinger é confrontado por Greg Gradin, premiado jornalista e professor universitário norte-americano, em sua obra A Sombra de Kissinger. “A sombra de Henry Kissinger nunca deixou de exercer influência sobre a política externa norte-americana desde que ele chegou ao poder, com a posse de Nixon em 20 de janeiro de 1969. A ideia de que a América é um império que modifica e cria a própria realidade por intermédio de sua vontade soberana ajudou a justificar ambas as Guerras do Golfo Pérsico, assim como a “Guerra ao Terror”, sem fronteiras definidas nem inimigos claros, deflagrada após o ataque de 11 de setembro de 2001 e vigente até os nossos dias”.

Igualmente, se de um lado, Alan Greenspan, autor da obra A Era da Turbulência, prefaciada por Arminio Fraga Neto, sócio-fundador da Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central do Brasil, é tido como o lendário presidente do Banco Central Americano, que dispensa qualquer apresentação. E Fraga ainda afirma que, após discutirem assuntos econômicos, dentre os quais, relacionados a conduzir um banco central em meio a uma crise, ficou certo de que o mundo tinha ao timão um capitão muito especial, capacitado de retirar especificidades de lições de grande relevância macroeconômica, tal qual sua notória decisão de testar os limites do crescimento americano baseado no comportamento da produtividade, fato que teria antevisto quase sozinho. Apesar disso, o apresentador da obra afirma que o mundo vem demonstrando altas taxas de crescimento e baixas taxas de inflação. Fraga finaliza: “Acredito que este padrão deve continuar, mas ninguém melhor do que Greenspan para iluminar o caminho, coisa que ele faz neste livro de forma agradável e estimulante!”

Por outro lado, Ravi Batra, autor de 06 bestsellers internacionais, dentre os quais dois eleitos pelo New York Times, expõe como as políticas do poderoso ex-presidente do FED, o Banco Central Americano, minaram a economia mundial. “As pessoas o chamavam de ‘maestro’, visionário, o melhor economista de todos os tempos. Mas quem era essa pessoa que tinha sido lançada no palco da atenção pública, vinda quase do desconhecido? O mundo realmente conhecia Alan Greenspan? […] Greenspan pode ser uma lenda aos olhos de muitos, mas, quando se analisa cuidadosamente o que ele fez, a aura de admiração pública sobre ele pode desaparecer num piscar de olhos”.

O autor, assim, expõe de forma crítica as políticas desenvolvidas pelo ex-presidente do FED. Partindo de 1987, segundo Batra, Greenspan manteve as rédeas da política econômica, passando por três presidentes, demonstrando como suas convicções se modificaram conforme a onda política. De fato, o autor demonstra o grande impacto do ex-presidente por todo o planeta. Segundo Batra, a “Greenomia” extripou trilhões de dólares da classe média americana, enriqueceu muito os ricos e defendeu as grandes empresas.

A Crise Financeira de 2008

Fonte: Mundo Educação.

A partir do ano de 2008, o cenário econômico mundial passou a viver em um período sombrio, do tipo que não se via desde a Grande Depressão de 1929, quando o capitalismo passou pela sua pior crise econômica. A grande diferença, no entanto, da recente ocasião que afetou, sobretudo, os países desenvolvidos em relação às crises anteriores foi que essa se tratava de uma crise financeira, ou seja, um colapso no sistema global de especulação econômica para a obtenção de lucros.

Podemos dizer que a crise de 2008, tal como foi inicialmente chamada, teve o seu estopim com o estouro da chamada bolha imobiliária nos Estados Unidos. Mas em termos econômicos, o que é uma bolha?

Uma bolha econômica forma-se sempre que o valor de um produto ou mercado (no caso, o valor dos imóveis) eleva-se além do seu “valor real” ou do valor que esse produto deveria ter. Quando os preços caem, em face do esgotamento dessa supervalorização, a bolha estoura, muitos ficam no prejuízo e a crise alastra-se.

O que aconteceu nos Estados Unidos foi mais ou menos isso. A grande questão é que havia uma prática muito comum no país, a da hipoteca. Basicamente, uma hipoteca consiste na obtenção de empréstimos tendo o imóvel como garantia. Como os juros nos Estados Unidos eram muito baixos e o crédito abundante, as pessoas passaram a hipotecar suas casas para investirem em… mais imóveis! Isso tornou o mercado imobiliário altamente atrativo, sendo um alvo de empresas e investidores de todos os tipos.

O problema é que essas hipotecas funcionam da seguinte forma: ela são títulos, chamados de “ativos financeiros”. As empresas credoras desses títulos, por sua vez, negociam essas dívidas (até então, altamente valorizadas) com bancos, empresários e instituições financeiras, movimentando o mercado. No entanto, se essa dívida torna-se um risco iminente de calote (que os economistas chamam de “subprime”), o valor dela despenca e os seus especuladores ou investidores ficam no prejuízo.

No caso dos Estados Unidos, o governo precisou aumentar o lucro e diminuir o crédito para conter o crescimento da inflação que, então, passou também a ser uma ameaça em virtude da aceleração da valorização do preço dos produtos. Com isso, o mercado esfriou e os imóveis passaram a valer menos, o que contribuiu para que muitas pessoas deixassem de pagar suas hipotecas, que se tornaram “subprime”, difundindo a crise, que, por isso, também foi chamada de crise do subprime.

Tal contexto resultou em uma maior desconfiança no mercado, com os bancos dificultandos empréstimos, limitando o crédito e, com isso, diminuindo a capacidade de investimento das empresas. Por isso, menos empregos foram gerados e, logo depois, demissões em massa aconteceram, o que provocou a queda no consumo, menos lucro nas empresas, novas demissões e assim por diante. Com a quebra do banco Lehman Brothers, a crise encontrou o seu ápice, pois novas dívidas e títulos perderam o seu valor, os investimentos caíram e as ações despencaram.

Mesmo diante dos esforços do governo em conceder crédito, perdoar dívida, gerar empregos e conter a crise financeira, ela espalhou-se e atingiu, dois anos depois, a Europa em cheio, mais precisamente a União Europeia, culminando na crise do Euro. Para agravar a situação, vários países europeus encontravam-se bastante endividados e com poucas reservas disponíveis para combater a crise. Os casos mais notáveis foram os de Portugal, Espanha, Itália e, principalmente, a Grécia.

Esses países tiveram de contrair empréstimos volumosos do FMI (Fundo Monetário Internacional) e da própria União Europeia, que passaram a exigir medidas de cortes de gastos, tais como a redução da folha com funcionários públicos, privatizações, contenção de direitos trabalhistas, redução média dos salários, entre outros. Isso resultou em revoltas e protestos, que foram mais duramente percebidos em 2012, também no território grego.

Os países subdesenvolvidos e, principalmente, os emergentes, tais como a China, a Rússia e o Brasil, embora sentissem uma maior dificuldade de crescimento, foram menos atingidos pela crise financeira mundial. Ao contrário dos países desenvolvidos, os emergentes não chegaram a entrar em recessão, quando a economia e a produção de riquezas começam a regredir.

Apenas recentemente os efeitos da crise têm sido menores, resultando em uma ligeira recuperação da confiança nos investimentos nos mercados de ações e dívidas. No entanto, o que se nota é que ainda há dificuldades de crescimento econômico nos países, além do fato de que, se esse sistema de especulação financeira não for devidamente regulado pelo poder público, novas crises financeiras podem ocorrer no futuro, inclusive no Brasil, onde o preço dos imóveis está valorizando-se acima do normal.

 

JP Morgan prevê próxima crise financeira em 2020

 

Em matéria do Jornal de Negócios de Portugal, de 16 de setembro, o banco JP Morgan estima que a próxima crise financeira global irá ocorrer em 2020.

“Uma década após o colapso do Lehman Brothers ter gerado uma forte queda nos mercados e a adopção de uma série de medidas de emergência, os especialistas do JPMorgan criaram um modelo com o objectivo de aferir o timing e a severidade da próxima crise financeira. Este concluiu que os investidores devem apontar para 2020”.

Segundo a análise, a próxima crise será menos impactante. Todavia, a liquidez dos bancos torna-se um problema.

Dentre os efeitos, destacam-se:

“- Desvalorização de cerca de 20% das acções dos EUA

“- Subida de cerca de 1,15 pontos percentuais no prémio de risco das “yields” das obrigações de empresas norte-americanas

“- Queda de 35% nos preços da energia e descida de 29% nas cotações dos metais de base

“- Aumento de 2,79 pontos percentuais no spread dos juros da dívida pública dos países emergentes

“- Queda de 48% nas bolsas dos mercados emergentes e uma descida de 14,4% nas moedas das economias emergentes”.

Kolanovic [do JP Morgan] tinha alertado para o potencial de vir a ocorrer no futuro uma “grande crise de liquidez”.

“A duração da recessão é um poderoso obstáculo às rendibilidades, o que deve encaixar com as preocupações de alguns leitores que os responsáveis políticos carecem de margem de manobra orçamental e monetária para recuperar as economias na próxima recessão”, concluem os analistas.

E o Brasil?, pode perguntar o leitor, a leitora atento(a).

No Brasil, temos de um lado o mundo real (material, tangível) e de outro o financeiro (imaterial, intangível). De um lado, o mundo onde a economia acontece de fato, com a produção e circulação de bens e serviços. De outro, onde as finanças se contextualizam em ambiente virtual. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é assim estruturado:

– Órgãos Normativos:

 * Conselho Monetário Nacional (CMN);

* Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP);

* Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC);

– Entidades Supervisoras:

* Banco Central do Brasil (Bacen);

* Comissão de Valores Mobiliários (CVM);

* Superintendência de Seguros Privados (Susep);

* Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc);

– Operadores (Bancos e demais instituições financeiras);

– Instituições Especiais (Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal; e BNDES)

Sobre o Sistema Financeiro Brasileiro. Saiba mais sobre sua organização, funcionamento e regulação nas fontes:

Em 2010, Ney Castro Alves, em obra “O Futuro em 10 anos – O Novo Mercado de Capitais no Brasil”, lembra que o País celebrou na ocasião a maior oferta pública de ações já realizada por uma empresa na história do capitalismo: a de capitalização da Petrobrás, que atingiu R$ 120 bilhões. Igualmente, neste ano, grandes empresas estrearam na Bolsa Brasileira, com lotes de papéis emitidos por organizações, como Apple, Google e Bank of America. Esses fatos demonstram que o mercado brasileiro vem evoluindo. O autor se trata de pioneiro e profissional ativo no mercado.

02 (dois) pontos de sua obra me chamam a atenção, considerações sobre: 1) a Era da Informação; e 2) a proteção do investidor.

Quanto à primeira, a Era da Informação (2010, p. 380 a 383), o autor traz, em resumo, notas relevantes da XXVI Conferência Anual da Iosco, Organização Internacional das Comissões de Valores (OICV), da qual o autor participou junto a representantes da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e da Bovespa:

  • Implementação de objetivos e princípios (defesa do investidor, garantia de mercados seguros, eficientes e transparentes, e redução de riscos sistêmicos);
  • Sistema de liquidação de valores mobiliários (força tarefa resultou em 18 recomendações para melhorar a infraestrutura de sistemas de liquidação de valores, com padrões mínimos, tais como: ligações transfronteiras, gestão, transparência, eficiência, contrapartidas, regulação e fiscalização, enquadramento jurídico, fiabilidade operacional e acesso);
  • Práticas de Governança Corporativa (como: direitos dos acionistas e de partes interessadas; responsabilidades do Conselho de administração; o papel da informação e da transparência);
  • Contabilidade e auditoria (normas contábeis de acordo com padrões internacionais);
  • Mercados secundários (ligações entre bolsas de valores mundiais por cotações cruzadas de valores e o desenvolvimento de produtos derivativos);
  • Intermediários (colaboração da IOSCO com o Comitê de Basileia no desenvolvimento de estrutura adequada para tratamento de riscos operacionais, inclusive levando seus membros a colaborarem com pesquisas para obter dados relevantes);
  • Gestão de Investimentos (02 temas: controle dos riscos operacionais dos operadores e propaganda de desempenho);
  • Painéis de discussão da conferência (grupos de debates de interesse para reguladores e profissionais):
  1. O impacto da Internet no funcionamento e regulação de mercados;
  2. Estabilidade de mercados;
  3. Acesso do investidor ao mercado e à informação na era da Internet;
  4. Independência do auditor;
  5. Desmutualização e privatização das Bolsas de Valores;
  6. Transparência no processo de regulação.

No que se refere à segunda, o autor aborda a proteção do investidor na nova economia, remetendo ao Comitê Técnico da Iosco, OICV, e destaca 04 aspectos de interesse, para o investidor:

  • O processo de oferta pública inicial de ações (IPO, Initial Public Offering);
  • Avaliação de empresas de alta tecnologia, incluindo contabilidade e resultados financeiros;
  • Efeitos das estratégias de operação de curto prazo nos riscos e expectativas dos investidores;
  • Preservar a confiança do investidor, porque, afinal, os objetivos básicos da regulação são:
  1. proteção aos investidores;
  2. garantia de que os mercados permaneçam leais, eficientes e transparentes;
  3. redução de riscos sistêmicos.

O autor (2010, p. 383 a 385) traz, a seguir, impactos das tecnologias na nova economia. E, por fim, destaca alguns alertas, conforme o boletim:

  • processo de Oferta Pública Inicial de Ações (IPO), pesquisar antes de investir, especialmente na área da Internet, a descrição das operações atuais e previstas da empresa, os fatores de riscos associados, a própria oferta e os Balanços;
  • avaliação de empresas de alta tecnologia, incluindo contabilidade e resultados financeiros, não deve desprezar a razão preço/lucro de uma empresa. Comprar ações de empresas sem lucros e sem antecedentes é comprar conceitos, que dependem de coisas intangíveis, como habilidades empresariais, boa gerência e previsões positivas;
  • corretagem e fluxo de ordens on-line não desobrigam as corretoras de agir lealmente, de ter profissionais qualificados e mais substância do que apenas nome e endereço na Internet;
  • atenção a possíveis atrasos no processamento de ordens; o mercado pode oscilar e, quando a ordem for executada, o preço da transação poderá ser muito diferente. Para se proteger, os investidores devem usar ordens com limites de preço de compra ou venda;
  • cuidado com investimentos que requerem margens adicionais se o preço começar a cair, podendo acabar dobrando seus prejuízos.

E finaliza o autor:

“O Comitê Técnico da Iosco reconhece que não é papel dos órgãos reguladores de valores mobiliários recomendar compra ou venda, nem estratégias particulares para ajudar nas decisões de investimento. Devem, porém, procurar garantir aos investidores acesso a toda informação, inclusive sobre os riscos associados com investimento”.

Essas considerações do autor acerca do Risco e Órgãos Reguladores no Mundo são apenas alguns aspectos da ponta do iceberg, que objetivam maior transparência, eficiência e segurança às atividades financeiras do mercado de capitais. Dentre outras, que aborda na obra e que aqui cabe apenas mencionar, antes as anteriores a título ilustrativo, que já tratamos, as outras abordadas, tratam-se como breve menção, que posteriormente poderemos desenvolver, são: 1) alertas ao Brasil; 2) crise e o risco sob controle; 3) sistema financeiro e o Judiciário; 4) Inside Government; 5) Governo, Impactos no Mercado; 6) Proteção e Autorregulação; 7) Derivativos, Avanços; 8) Bovespa Democratiza Capital; dentre outros.

Por esses e outros motivos, acreditamos que o Sistema Financeiro Brasileiro se encontra amparado e devidamente regulado, de modo que, para investir, o investidor se situa em ambiente protegido, o que, todavia, devo ressaltar que não se está livre da ocorrência de desvios e fraudes. A proteção, assim, conferida pelo sistema confere a segurança necessária para a saudável realização das atividades financeiras. E que, em tempo, diga-se: um ambiente onde uns ganham e outros perdem. De fato, não é possível que todos saiam ganhando. Por isso, a importância da educação financeira, de modo que o mercado não é lugar para aventureiros.

No abrangente assunto da informação e sistema financeiro, os dois temas possuem tamanha relevância. Os dois tópicos, assim, são a eles necessários atentar para o bem-estar social e da nação.

Quanto ao futuro do desenvolvimento, atento para alguns pontos. As questões que abrangem a economia emergente do Brasil e sua retomada de desenvolvimento no contexto global. Energia e desenvolvimento. Os dados como “novo petróleo”. Mudanças climáticas e a preocupação com o meio ambiente. Governança corporativa empresarial e mundial; dentre outros.

Resumo da Ópera

O PT governou por mais de uma década. Herdaram a cama feita pelo governo anterior, que não soube explicar as medidas econômicas necessárias ao País ao povo. E? E quebrou o País! Quebrou a Petrobrás. Quebrou o Bolso do Contribuinte. Está certo que fizeram muito para reduzir as desigualdades sociais, melhorando a fome do pobre, que comia cacto e carne de couro no árido sertão nordestino. É preciso, no entanto, olhar para o econômico sem esquecer dos social. Todavia, os fins não justificam os meios, já dizia Maquiavel. Desse modo, por mais nobre que seja a causa, não podemos Quebrar o País e a Nação Brasileira.

Lembre!

Turminha: Dirceu é PT, PT é Lula, Haddad é PT.

É hora de mudar! Dar a chance de outro mostrar que é possível!

E se não for possível, independente de quem ganhe, neste caso será necessário deixarmos todas nossas diferenças de lado e lutar juntos pelo Futuro de nosso País e de Nossa Nação Brasileira!

Referências

Alan Greenspan, A Era da Turbulência. 2008.

André Ramos Tavares, Direito Constitucional Econômico. 2003.

Cláudio Lembo, Visões do Cotidiano. 2012.

Fernando Henrique Cardoso, Um Mundo Surpreendente in: Barros e Giambiagi (orgs.). Brasil Globalizado. 2008.

George Soros, Globalização. 2003.

George Soros, A Crise do Capitalismo. 1998.

GloboNews, Série sobre a Crise de 2008. 14 set / 2018.

Greg Grandin, A Sombra de Kissinger. 2017.

Henry Kissinger, Ordem Mundial. 2015.

Jornal de Negócios, JPMorgan prevê próxima crise financeira em 2020. Disponível em: < https://www.jornaldenegocios.pt/mercados/detalhe/jpmorgan-preve-proxima-crise-financeira-em-2020 >. Acesso em 17 set / 2018.

Monica Caggiano, in: Direito Constitucional Econômico. 2007.

Mundo Escola.

Nelson Nazar, Direito Econômico. 2009.

Oliveira & Pacheco. Mercado Financeiro. 2017.

Otávio Cabral, Dirceu – A Biografia. 2013.

Ravi Batra, Greenspan – A Fraude. 2006.

UOL economia, Quebra do Lehman Brothers e a mudança irreversível dos bancos centrais. Disponível em: < https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2018/09/14/quebra-do-lehman-brothers-e-a-mudanca-irreversivel-dos-bancos-centrais.htm >. Acesso em: 14 set / 2018.

Vicente Bagnoli, Direito Econômico e Concorrencial. 2017.

Wikipédia, Sociedade Aberta.

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